Monday, December 13, 2010

Mutações Antropológicas Contemporâneas e as Redes Sociais

O horrendo culto da vaidade no Facebook

A Rede Social comprova que estamos diante de uma mutação antropológica

A traumática substituição da cultura humanista pela tecnológica provocou uma espécie de neurose afásica entre os jovens. No caso do americano Mark Zuckerberg, fundador do site Facebook há seis anos, essa afasia deixou marcas visíveis em seu inexpressivo rosto. Em outras palavras: mesmo quem conhece Zuckerberg pessoalmente, diria que ele se parece mais com o ator do filme A Rede Social do que com ele mesmo. Jesse Eisenberg, o Zuckerberg do filme de David Fincher, interpreta o novo magnata da internet como um cidadão Kane autista, um isolado portador da síndrome de Asperger, incapaz de se comover com a dor alheia. E pior: irresponsável demais para ser confiável, o que é duplamente perigoso em se tratando de um hacker sem escrúpulos e familiarizado com a ordenação de algoritmos, a confiar no filme de Fincher.
Merrick Morton/Divulgação
Merrick Morton/Divulgação
Face a face. Andrew Garfield (como o brasileiro Saverin, um dos criadores do Facebook) e Jesse Eisenberg como Zuckerberg

Hoje empenhado em ser o mensageiro oficial do mundo, o Mercúrio do cyberspace, ele está prestes a lançar um correio eletrônico, após o sucesso do Facebook Messages, seu serviço de mensagens da rede conectado a celulares. Zuckerberg tem no cadastro de seu Facebook mais de meio bilhão de usuários, o equivalente a quase um terço da população da China. Quando a notícia se espalhou, no mês passado, centenas de usuários da internet se manifestaram contra o novo email do Facebook. Muitos apontaram como principal risco o de ter sua correspondência pessoal violada e a privacidade exposta por um homem que, segundo o filme de Fincher, roubou dos colegas de Harvard a ideia de seu website e expôs ao vexame digital a própria namorada. Imagine agora seus dados pessoais e suas preferências - sexuais, partidárias, religiosas - caindo nas mãos de hackers. Ou de Zuckerberg. Ou de anunciantes. Pior: tente imaginar o que fariam com essas informações regimes totalitários e terroristas.

Fincher, em A Rede Social, retrata Zuckerberg como um hacker megalomaníaco e socialmente inadaptado. O efeito residual dessa crítica é ainda mais duro que o de testemunhar o ressentimento de um inseguro gênio da informática e seu desprezo por todos os que considera "inferiores" - como os advogados de seus amigos, lesados no processo de construção do site. Deixa-se o cinema com a sensação de que se viu um filme de terror. Não é preciso ter lido Marcuse para saber que o sistema assimila tudo, acabando por integrar toda a diversidade, de um jeito ou de outro. A internet é isso, um saco de gatos cheio de ratazanas autodestrutivas, loucas para serem devoradas. Ferramentas sociais como o Facebook lidam com a ingenuidade narcísica de jovens que gastam, no mínimo, 19 minutos por dia para se comunicar com "amigos" dos quais não sabem absolutamente nada. Fincher retrata Zuckerberg como o gato maluco que vai devorar esses ratos, caídos na cilada virtual de uma rede que cria usuários dependentes. Eles "postam" uma inocente revelação pessoal no Facebook e em poucos minutos todos estão dando palpite na vida do infeliz. Uma promíscua cyberfavela, enfim.

No filme, o primeiro exemplo das consequências na vida real do delírio digital de Zuckerberg é o bullying promovido pelo jogo que deu origem ao Facebook. Nele, o hacker rouba dados de várias fontes, faz downloads de fotos e em poucas horas, usando um algoritmo a que recorrem jogadores de xadrez, cria o website Facemash com a ajuda do brasileiro Eduardo Saverin. No Facemash, Zuckerberg expõe a namorada que o rejeitou ao lado de outra garota e promove o concurso "quem é a mais quente", forçando a interatividade dos colegas e reduzindo suas vítimas à condição de vacas leiteiras.
 
Essa taxonomia esquemática, destruidora de reputações, seria impensável numa cultura humanista, em que vida privada e pública não se misturam, mas parece "normal" numa cultura tecnológica. Por quê? Porque o hedonismo dos jovens do século 21 é vicioso, desconhece limites. Tudo vira jogo nesse ambiente virtual de monomaníacos, que desperdiçam o tempo em conversas fúteis, desprezam a ética e são assaltados por uma psicose social que os leva a ver o "outro" como uma abstração. Estaremos diante de uma mutação antropológica? É provável. A internet virou o tabernáculo eletrônico de jovens que se confessam e punem uns aos outros ao expor rostos e almas no altar do Facebook, onde reina Lady Gaga, dona do perfil mais seguido nesse horrendo culto. Vendo como se comportam os nerds de Palo Alto no filme, não surpreende.

Antonio Gonçalves Filho - O Estado de S.Paulo

Wednesday, May 12, 2010

Tempo Para Você

Se as últimas décadas foram marcadas pelas vitórias da medicina sobre muitas doenças do corpo, o desafio do século 21 é ajudar a humanidade a não entrar em colapso emocional. Não se trata apenas dos distúrbios sérios, que pedem tratamento profissional com terapias e remédios, mas do equilíbrio emocional no dia a dia. Saúde é mais que ausência de doença, é bem-estar total.



É possível viver o hoje, livre do ontem e sem medo do amanhã



Os especialistas falam de vários inimigos da saúde emocional, entre eles: ansiedade e culpa. Os sintomas podem ser percebidos no pai que perde o sono por causa do risco do desemprego; da mulher que vive a pressão de conciliar o trabalho com o papel de mãe; ou de um adolescente que, bombardeado pela propaganda, acredita que seu valor se mede pela marca de uma roupa. O pior da ansiedade é que ela nos aprisiona ao futuro. Coloca a felicidade como algo a ser alcançado, mas indisponível agora. Cria o sentimento de constante insatisfação, mau humor e intolerância. Faz com que as incertezas do amanhã tirem a paz do hoje.



A culpa, por sua vez, nos amarra ao passado. Seu peso pode ser sentido pelos pais que perderam o filho para as drogas; pelo jovem, outrora ingrato, que agora toca o caixão da mãe; ou pelo marido que carrega o remorso da destruição de seu lar por uma aventura amorosa. A culpa não resolvida esgota as forças. Suga o que há de melhor em nós. Ri dos sonhos de liberdade e regeneração, jogando na cara do culpado uma dívida impagável. Gera angústia, depressão. Pode matar.





O segredo – O problema é moderno, mas a solução de Deus é muito antiga: “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34). O conselho é simples e prático, porque Ele, no verso anterior, promete suprir todas as necessidades daqueles que O buscarem (v. 33). Se você duvida, olhe para as aves, que não pedem socorro e não fazem nada por merecê-lo, mas mesmo assim são sustentadas (v. 26). O texto ainda termina dizendo que é inútil o homem se angustiar em relação ao que não pode mudar, pois aquilo que está além de nós, deve-se confiar a Deus (v. 27). Para os ansiosos, Ele pode quebrar as cadeias que os prendem ao futuro.



Quanto à culpa, alguns psicólogos diriam que o Cristianismo é a religião que mais oprime o homem. É verdade que durante muitos séculos uma falsa compreensão sobre o caráter divino fez da fé um fardo insuportável. Alguns chegaram a considerar a voz do Diabo mais doce que a de Deus. Mas esse não é o retrato que a Bíblia pinta: “Venham a Mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e Eu lhes darei descanso…” (Mateus 11:28). A paz interior que o Deus da Bíblia concede está além do entendimento, porque não vem de passeatas contra a violência ou de acordos de cessar-fogo, mas do toque de quem conhece o íntimo do ser humano. Ele é especialista em jogar culpas no fundo do mar e apagar o passado perturbador.



Certo do desequilíbrio do homem moderno, Deus providenciou um dia por semana para celebrar a liberdade emocional. O sábado é símbolo do cuidado e perdão de Deus. Do cuidado, porque aceita-se o desafio de ficar 24 horas longe das preocupações diárias. As contas e compromissos não deixam de existir, mas a responsabilidade é compartilhada com Deus. Foi essa a experiência do povo de Israel no deserto. Toda sexta-feira caía maná (pão do Céu) em dobro, para que no sábado descansassem na providência divina (Êxodo 16:4-31).



Os especialistas falam de vários inimigos da saúde emocional, entre eles: ansiedade e culpa. Os sintomas podem ser percebidos no pai que perde o sono por causa do risco do desemprego; da mulher que vive a pressão de conciliar o trabalho com o papel de mãe; ou de um adolescente que, bombardeado pela propaganda, acredita que seu valor se mede pela marca de uma roupa. O pior da ansiedade é que ela nos aprisiona ao futuro. Coloca a felicidade como algo a ser alcançado, mas indisponível agora. Cria o sentimento de constante insatisfação, mau humor e intolerância. Faz com que as incertezas do amanhã tirem a paz do hoje.



A culpa, por sua vez, nos amarra ao passado. Seu peso pode ser sentido pelos pais que perderam o filho para as drogas; pelo jovem, outrora ingrato, que agora toca o caixão da mãe; ou pelo marido que carrega o remorso da destruição de seu lar por uma aventura amorosa. A culpa não resolvida esgota as forças. Suga o que há de melhor em nós. Ri dos sonhos de liberdade e regeneração, jogando na cara do culpado uma dívida impagável. Gera angústia, depressão. Pode matar.





O segredo – O problema é moderno, mas a solução de Deus é muito antiga: “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34). O conselho é simples e prático, porque Ele, no verso anterior, promete suprir todas as necessidades daqueles que O buscarem (v. 33). Se você duvida, olhe para as aves, que não pedem socorro e não fazem nada por merecê-lo, mas mesmo assim são sustentadas (v. 26). O texto ainda termina dizendo que é inútil o homem se angustiar em relação ao que não pode mudar, pois aquilo que está além de nós, deve-se confiar a Deus (v. 27). Para os ansiosos, Ele pode quebrar as cadeias que os prendem ao futuro.



Quanto à culpa, alguns psicólogos diriam que o Cristianismo é a religião que mais oprime o homem. É verdade que durante muitos séculos uma falsa compreensão sobre o caráter divino fez da fé um fardo insuportável. Alguns chegaram a considerar a voz do Diabo mais doce que a de Deus. Mas esse não é o retrato que a Bíblia pinta: “Venham a Mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e Eu lhes darei descanso…” (Mateus 11:28). A paz interior que o Deus da Bíblia concede está além do entendimento, porque não vem de passeatas contra a violência ou de acordos de cessar-fogo, mas do toque de quem conhece o íntimo do ser humano. Ele é especialista em jogar culpas no fundo do mar e apagar o passado perturbador.



Certo do desequilíbrio do homem moderno, Deus providenciou um dia por semana para celebrar a liberdade emocional. O sábado é símbolo do cuidado e perdão de Deus. Do cuidado, porque aceita-se o desafio de ficar 24 horas longe das preocupações diárias. As contas e compromissos não deixam de existir, mas a responsabilidade é compartilhada com Deus. Foi essa a experiência do povo de Israel no deserto. Toda sexta-feira caía maná (pão do Céu) em dobro, para que no sábado descansassem na providência divina (Êxodo 16:4-31).



O sétimo dia também é antídoto para a culpa, pois ele é um presente, assim como o perdão de Deus. No sábado, somos convidados a descansar, não só fisicamente, mas também de nossos medos e traumas. É o abraço do Pai para o filho acuado e machucado. É um recado do Céu, no presente, de que é possível viver livre do passado e não temer o futuro.


por Wendel Lima


Tuesday, April 06, 2010

O Anel de Giges

GIGES


Platão. A República, II, 359b-360a

"Para provar que só se pratica a justiça contra a própria vontade e pela incapacidade de cometer a injustiça, não poderíamos fazer nada melhor do que imaginar o seguinte. Demos ao homem de bem e ao iníquo igual poder de fazer o que quiserem e os sigamos para ver onde a paixão os vai conduzir. Surpreenderemos o homem de bem tomando o mesmo caminho que o iníquo, levado pelo desejo de ter sempre mais, desejo que toda natureza persegue como um bem, mas que a lei sujeita, à força, ao respeito e à igualdade. O melhor meio de lhes dar o poder de que falo é lhes emprestar o privilégio que, dizem, Giges, o antepassado do Rei da Lídia, possuiu outrora.

Giges era um pastor a serviço do rei que reinava então na Lídia. Em conseqüência de uma grande tempestade e de um terremoto, o solo tinha se fendido e uma medonha abertura tinha se formado no lugar onde ele apascentava seu rebanho. Admirado com o que via, desceu pela abertura, e conta-se que, entre outras maravilhas, viu um cavalo de bronze, oco, com portinholas e, tendo passado a cabeça através de uma delas, viu um homem que estava morto, segundo toda a aparência, e cuja estatura ultrapassava a estatura humana.

Esse morto estava nu; tinha somente um anel de ouro na mão. Giges o pegou e saiu. Ora, tendo-se reunido os pastores como de costume para fazer ao rei o seu relatório mensal sobre o estado dos rebanhos, Giges veio à assembléia, trazendo no dedo o seu anel. Tendo tomado o lugar entre os pastores, girou, por acaso, o anel de tal modo que a pedra ficou do lado de dentro de sua mão e, imediatamente, ele se tornou invisível para os seus vizinhos, e falavase dele como se tivesse partido, o que o encheu de espanto. Girando de novo o seu anel, virou a pedra para fora e imediatamente tornou a ficar visível. Atônito com o efeito, ele repetiu a experiência para ver se o anel realmente tinha esse poder, e constatou que, virando a pedra para dentro, tornava-se invisível; para fora, visível. Tendo essa certeza, fez-se incluir entre os pastores que seriam enviados até o rei como representantes. Foi ao palácio, seqüestrou a rainha e atacou e matou o rei; em seguida, apoderou-se do trono.

Suponhamos, agora, dois anéis como esse; coloquemos um no dedo do homem justo e outro no do injusto. Segundo o que tudo indica, não encontraremos em nenhum dos dois uma força de caráter suficientemente forte para permanecerem fiéis à justiça e resistirem à tentação de se apoderar do bem que quisessem, já que poderiam, impunemente, pegar no mercado o que quisessem, e fazer o que bem entendessem em qualquer lugar, como se fossem deuses entre os homens, pois não seriam punidos por nada que viessem a fazer.

Penso que, quanto a isso, nada distinguiria o homem justo do injusto, e os dois tenderiam para o mesmo fim,e poderíamos ver nisso uma grande prova de que não se é justo por escolha, mas por imposição, e não é a justiça como um bem individual, pois sempre que julgamos poder ser injustos, não o deixamos de ser.

Todos os homens, com efeito, crêem que a injustiça lhes é muito mais vantajosa individualmente do que a justiça, e têm razão para acreditar nisso, se nos referimos àquele que é partidário da doutrina que exponho. De fato, se um homem que tivesse tal poder não consentisse nunca em praticar uma injustiça e em apoderar-se de um bem de outrem, seria considerado por aqueles que estivessem a par do segredo como o mais infeliz e o mais insensato dos homens. Nem por isso deixaria de elogiar em público a sua virtude, mas com
o intento de se enganarem mutuamente, no temor de sofrerem, eles mesmos, alguma injustiça."

Sunday, April 04, 2010

Pessah Message - Mensagem Pascoal

Belém. Ele nasceu lá. Não havia nada de sagrado naquela manjedoura. Jesus poderia ter nascido no melhor hotel da cidade. Mas parece que eles não tinham vaga para Ele. Cristo NUNCA força Sua entrada. Ele só habita onde Lhe damos morada. Naquela noite só havia lugar para Ele no estábulo. Então foi lá que Ele nasceu.

Jesus andava com homens simples, porém não simplórios. Gente comum. Porém não havia nada de comum em Suas palavras. Ele desapontou todas as expectativas de um sistema ético. Decepcionou o formalismo judaico quando disse: “Amar quem gosta de vocês é o óbvio. Num mundo onde a ordem esta invertida, vocês devem amar quem odeia vocês.” Ele confrontou padrões religiosos declarando que verdadeiros templos de adoração eram os corações dos que crêem e não grandes construções ou prédios imponentes. Que as pessoas valem mais. Sempre. Ele se negou a discutir leis e regulamentos que visam o controle das ações das pessoas, mas focalizou os pensamentos, intenções e sentimentos.

Se Cristo tivesse sido um Filósofo, poderiam ter debatido contra Ele. Se tivesse sido um soldado, poderiam ter lutado contra Ele. Se tivesse sido um mero “religioso”, poderiam tê-Lo ignorado, considerando-o um excêntrico, um fanático ou apenas mais um louco. Mas Cristo é amor. Ele foi amor. Como se combate algo assim? Como rejeitar alguém assim?

Mesmo assim muitos O rejeitaram. Ele foi massacrado em todos os aspectos. Humilhado de muitas maneiras. Foi morto como um criminoso.

Cristo poderia ter ressuscitado diretamente da cruz. Mas Deus permitiu que toda cerimônia fosse preparada. Que o sepultamento fosse completo, com direito até a um selo romano que pretendia decretar o encerramento definitivo daquele caso. Ele foi limpo. Colocado no túmulo. A pedra fechou totalmente a passagem. As mulheres choraram. A procissão seguiu. Foi um enterro completo.

Três dias. No ventre da terra. Morto. Mas ao terceiro dia, com o raiar do sol, para que não houvesse qualquer dúvida quanto a Seu poder sobre TUDO o que existe, todas as leis físicas ou metafísicas, no Céu ou na Terra; poder sobre a vida e sobre a morte, Ele ressuscitou. Venceu e conquistou o poder sobre a morte. Ele é Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz. É o Bom Pastor, o Alfa e o Omega, o princípio e o fim. É Teu Pai misericordioso, amoroso e paciente, e que Se aproxima – é Deus de perto, não de longe – e que está voltando. Feche os olhos. Você poderá ouvir os Passos de um Deus que Se aproxima.

Amílcar Gröschel Jr.